Segundo a SAP, a sanção imposta pela entidade de classe restringe-se exclusivamente ao exercício prático da advocacia, não anulando o fato de ela ter a formação e o título de advogada.
A Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo (SAP) confirmou que a influenciadora e advogada Deolane Bezerra, recentemente denunciada por lavagem de dinheiro e integração ao Primeiro Comando da Capital (PCC), não será transferida para uma carceragem comum. O entendimento da SAP é o mesmo adotado pela Ordem dos Advogados do Brasil São Paulo (OAB-SP) e foi divulgado após a suspensão do registro profissional da advogada e influenciadora.
Segundo a SAP, a sanção imposta pela entidade de classe restringe-se exclusivamente ao exercício prático da advocacia, não anulando o fato de ela ter a formação e o título de advogada. Portanto, a custódia na Sala de Estado-Maior da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, permanece inalterada neste primeiro momento. O ordenamento jurídico brasileiro garante a advogados e a algumas outras carreiras específicas o direito de não dividirem espaço com presos comuns.
Na ótica da defesa da influenciadora, representada pelo advogado Aury Lopes Júnior, a suspensão possui natureza estritamente cautelar e afeta tão somente a capacidade postulatória — ou seja, a autorização técnica para pleitear direitos em juízo —, o que não justificaria a remoção da prisão especial.
LAVAGEM DE DINHEIRO
O cenário jurídico de Deolane agravou-se na semana passada, quando a Justiça paulista aceitou a denúncia do Ministério Público, tornando-a ré na investigação criminal. O juiz Deyvison Heberth dos Reis embasou a aceitação da denúncia em relatórios de inteligência financeira, quebras de sigilo bancário e fiscal, além de conteúdos telemáticos extraídos de celulares e laudos do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro.
Os investigadores apontam que a estrutura criminosa utilizava a empresa de fachada “Transportadora Lado a Lado” para ocultar valores ilícitos originários do tráfico de drogas da facção. De acordo com os autos, a conta bancária da advogada era destinatária de constantes depósitos fracionados realizados diretamente por essa transportadora. Essas movimentações, segundo a acusação, ocorriam sob as ordens de Everton de Souza, apontado como operador financeiro de Alejandro Camacho, irmão de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo do grupo.
Além de Deolane, Everton, Alejandro e Marcola, também viraram réus os sobrinhos do líder da facção, Leonardo e Paloma Camacho.
A equipe de advogados da influenciadora divulgou nota reiterando sua total inocência, ressaltando que o simples recebimento da denúncia não presume culpa e que todos os rendimentos de Deolane são de origem lícita e regularmente declarada.
Já o defensor da família Camacho, Bruno Ferullo, criticou as acusações, argumentando que Marcola e Alejandro estão isolados em presídios federais de segurança máxima desde 2019, o que inviabilizaria qualquer articulação criminosa. O advogado acrescentou ainda que o mero parentesco dos sobrinhos não configura delito e prometeu comprovar a origem lícita das operações financeiras durante a instrução processual.

