Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, pediu para deixar a equipe da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A saída ocorre em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal que apuram uma transferência financeira envolvendo o ex-assessor e a empresária Roberta Luchsinger, também alvo de inquérito. Segundo pessoas próximas ao governo, a decisão partiu do próprio Marcola com o objetivo de evitar desgaste à campanha presidencial.
Até então, a coordenação da campanha pretendia mantê-lo na função de responsável pela agenda de Lula. A avaliação interna era de que não havia elementos que indicassem irregularidades na operação financeira e que deveria prevalecer o princípio da presunção de inocência. Com a repercussão do caso, no entanto, Marcola optou por se afastar das atividades eleitorais.
Empréstimo de R$ 249 mil
Na terça-feira (4), Marcola divulgou uma nova nota em que informou ter recebido um empréstimo pessoal de R$ 249 mil de Roberta Luchsinger. Segundo ele, a operação teve caráter exclusivamente privado e foi integralmente quitada. Em manifestação anterior, o ex-chefe de gabinete já havia admitido a existência da transferência, mas sem revelar o valor envolvido.
O repasse foi identificado pela Polícia Federal durante a análise do celular da empresária, apreendido no âmbito da Operação Sem Desconto. A investigação apura se Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, cometeram crimes de corrupção e tráfico de influência. Os investigadores também analisam a possível atuação do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, nas relações investigadas.
Roberta é apontada pelos investigadores como lobista e mantém relação de amizade com Lulinha. Ela também atua como diretora da RL Consultoria e Intermediações, empresa voltada à intermediação de negócios e serviços.
Fábio Luís Lula da Silva é alvo de três investigações conduzidas pela Polícia Federal. A defesa do filho mais velho do presidente afirma que busca acesso integral aos inquéritos, sustenta que ele prestará todos os esclarecimentos às autoridades e nega a prática de qualquer irregularidade.
Marcola comandou o gabinete pessoal de Lula durante todo o atual mandato e deixou oficialmente a função em 21 de julho deste ano. Diante das investigações, o presidente orientou aliados a adotarem o discurso de que todas as suspeitas devem ser apuradas, independentemente de quem seja o investigado, reforçando que os fatos serão esclarecidos pelas autoridades competentes.
