Dedo na ferida
O ministro aposentado Celso de Mello, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, fez elogios ao editorial da edição de 2026 do Anuário da Justiça Brasil, que foi lançada em cerimônia promovida na noite desta quarta-feira (10/6), no Salão Branco do STF.
Para Celso de Mello, editorial desloca debate do terreno das impressões superficiais para o plano da realidade institucional
Segundo o magistrado, o texto acerta ao apontar os equívocos das pesquisas de opinião que sustentam que há uma elevada carga de desaprovação da população brasileira ao trabalho do Supremo, em particular, e do Poder Judiciário, em geral.
Para Celso de Mello, a força do editorial está em “denunciar a fragilidade de certas leituras estatísticas sobre a confiança no Supremo Tribunal Federal e no Poder Judiciário, especialmente quando índices de reprovação aparecem em sequência, com variações abruptas, sem que se esclareçam adequadamente os pressupostos metodológicos, o grau efetivo de conhecimento dos entrevistados sobre a instituição e o ambiente informacional em que tais percepções se formam”.
Leia a seguir a íntegra da manifestação do ministro:
O editorial da 20ª edição do Anuário da Justiça Brasil é brilhante porque desloca o debate do terreno das impressões superficiais para o plano, muito mais sério, da realidade institucional. Sua força está em denunciar a fragilidade de certas leituras estatísticas sobre a confiança no Supremo Tribunal Federal e no Poder Judiciário, especialmente quando índices de reprovação aparecem em sequência, com variações abruptas, sem que se esclareçam adequadamente os pressupostos metodológicos, o grau efetivo de conhecimento dos entrevistados sobre a instituição e o ambiente informacional em que tais percepções se formam.
Há, no texto, uma observação de grande acuidade: não se pode aferir, com seriedade, a confiança pública no Judiciário, ignorando o nível de informação da população (1) sobre o que é o STF, (2) qual a sua função constitucional e (3) de que modo atua no sistema republicano.
A opinião pública é elemento essencial da democracia, mas sua interpretação exige prudência, contexto e honestidade analítica.
Sem isso, pesquisas podem ser convertidas em instrumentos de pressão simbólica, em vez de servirem ao esclarecimento da realidade.
Também é muito sensata a crítica à fabricação artificial de percepções negativas, em ambiente marcado por redes sociais, desinformação, automatismos digitais e campanhas de desgaste institucional.
O editorial não nega a importância da crítica ao Judiciário — que é legítima em uma República democrática —, mas adverte, com inteira razão, que crítica séria não se confunde com manipulação, nem fiscalização republicana com campanhas de descrédito.
O ponto mais forte do texto está na identificação do verdadeiro sinal de confiança social na Justiça: milhões de pessoas continuam recorrendo ao Judiciário para resolver seus conflitos.
Esse dado possui enorme valor institucional. Quem procura a Justiça, em vez de recorrer à força, à vingança privada ou à resignação diante da lesão sofrida, reconhece, ainda que implicitamente, a autoridade civilizatória do Direito.
Por isso, o editorial é lúcido, corajoso e oportuno. Ele recorda que a confiança no Judiciário não deve ser medida apenas pela oscilação momentânea de pesquisas de opinião, mas também — e sobretudo — pela confiança prática, concreta e cotidiana de milhões de jurisdicionados que, todos os anos, entregam seus conflitos à jurisdição estatal, acreditando que ainda há, na Justiça, um caminho legítimo para a proteção de direitos, a pacificação social e a preservação da ordem democrática.
O evento de lançamento do Anuário contou com discursos do presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, ministro Edson Fachin; do presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Beto Simonetti; da presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Vanessa Mateus; do presidente do Instituto Consenso, Pablo Meneses; e do diretor da revista eletrônica Consultor Jurídico, Márcio Chaer.
Veja imagens da cerimônia de lançamento do Anuário da Justiça Brasil:
Entre as autoridades presentes no evento estiveram os ministros do STF Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e o ministro aposentado Ricardo Lewandowski; o presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Herman Benjamin, além dos ministros da corte Sebastião Reis Júnior e Afrânio Vilela; os ministros do Tribunal Superior do Trabalho Ives Gandra, Cristina Peduzzi, Alexandre Ramos, Alberto Balazeiro, Morgana de Almeida e Fabrício Gonçalves; Maria Elizabeth Rocha, presidente do Superior Tribunal Militar, além do ministro Péricles Queiroz e da ministra Verônica Stermann; o ministro do Tribunal de Contas da União Bruno Dantas; e Tarcijany Linhares, defensora pública-geral da União. Autoridades dos Judiciários estaduais e advogados também estiveram presentes na celebração.
Na mesma cerimônia, a ConJur lançou o Anuário da Justiça Saúde Suplementar. Esta segunda edição traz dados do setor e mostra como os dez principais Tribunais de Justiça do país têm enfrentado o tema. Cada turma e cada desembargador que julga a matéria é apresentado ao leitor. Reportagens especiais mostram também o crescimento da judicialização na área do Direito da Saúde, que atingiu a marca histórica de 330 mil processos em 2025, um salto de mais de 128% em cinco anos.
Assista à cerimônia de lançamento do Anuário:
ANUÁRIO DA JUSTIÇA BRASIL 2026
EDIÇÃO 20 ANOS
ISSN: 2179981-4
Número de páginas: 272
Versão impressa: R$ 50, à venda na Livraria ConJur (clique aqui para garantir o seu exemplar)
Versão digital: Gratuita, disponível no site do Anuário da Justiça (anuario.conjur.com.br)
Apoiou esta edição
FAAP — Fundação Armando Alvares Penteado
Anunciaram nesta edição
Abradee — Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica
Advocacia Fernanda Hernandez
Arruda Alvim & Thereza Alvim Advocacia e Consultoria Jurídica
Ayres Britto Consultoria Jurídica e Advocacia
Basilio Advogados
Bermudes Advogados
Bialski Advogados
Bottini & Tamasauskas Advogados
Bradesco S.A.
Cecilia Mello Advogados
Cesa — Centro de Estudos das Sociedades de Advogados
Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil
David Rechulski Advogados
Décio Freire Advogados
Diamantino Advogados
Dias de Souza Advogados
D’Urso & Borges Advogados Associados
Febraban — Federação Brasileira dos Bancos
Fidalgo Advogados
Gomes Coelho & Bordin Sociedades de Advogados
Guimarães Bastos Advogados
Hasson Sayeg
Novaes e Venturole Advogados
Heleno Torres Advogados
JBS S.A.
Leite, Tosto e Barros Advogados
Lucon Advogados
Machado Meyer Advogados
Marcus Vinicius Furtado Coêlho Advocacia
Maria Fernanda Vilela & Advogados
Mauler Advogados
Milaré Advogados
Moraes Pitombo Advogados
Mubarak Advogados
Multiplan
Nelio Machado Advogados
Ordem dos Advogados do Brasil – São Paulo
Pardo Advogados
Saldanha, Palheiro & Costa Sociedade de Advogados
Salomão Advogados
SOB — Sacramone, Orleans e Bragança Advogados
Warde Advogados
Viabilizadores desta edição
Instituto Consenso
Abramge
CNSaúde
Prevent Senior

































