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Você prefere seu pet às pessoas? Entenda o que isso pode revelar

redacao by redacao
14/08/2026
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Você prefere seu pet às pessoas? Entenda o que isso pode revelar
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Para algumas pessoas, passar uma noite em casa com um cachorro ou gato parece muito mais agradável do que participar de uma reunião cheia de gente. A frase “prefiro animais a pessoas”, comum nas redes sociais e nas conversas do cotidiano, pode parecer apenas uma brincadeira, mas o vínculo emocional estabelecido entre humanos e animais vem sendo estudado há décadas pela psicologia.

A ciência mostra que cães, gatos e outros animais de estimação podem exercer um papel importante na vida emocional dos tutores, oferecendo companhia, afeto e sensação de apoio. Isso, porém, não significa que preferir a presença de um pet seja sinal automático de dificuldade psicológica ou rejeição às relações humanas.

A psicóloga Cibele Santos explica que a busca por um relacionamento percebido como mais previsível e menos sujeito a julgamentos pode ajudar a entender por que determinadas pessoas encontram nos animais uma fonte especialmente importante de conforto. Segundo a especialista, conflitos cotidianos, frustrações e experiências negativas em relações interpessoais podem tornar a convivência com os pets emocionalmente mais simples para algumas pessoas.

Pesquisas científicas reforçam que essa conexão pode ser profunda.

Um estudo publicado em 2025 na revista científica Scientific Reports comparou a maneira como tutores avaliavam a relação com seus cães e diferentes vínculos humanos. Os animais receberam avaliações elevadas em aspectos como companhia, afeto, apoio e confiabilidade, além de apresentarem níveis menores de conflito em comparação com diversos relacionamentos humanos.

Os resultados não significam que os cães substituam familiares, amigos ou parceiros amorosos. Na pesquisa, por exemplo, parceiros românticos apresentaram avaliações superiores em intimidade. Os autores destacam que a relação entre humanos e cães possui características próprias e pode ocupar diferentes funções dentro da rede social de cada pessoa.

Por que a relação com os animais pode parecer mais fácil?
Relações humanas exigem comunicação, negociação, capacidade de lidar com críticas, divergências, expectativas e frustrações.

Já o relacionamento entre tutor e animal geralmente apresenta uma dinâmica diferente.

O pet não exige do tutor o mesmo conjunto de códigos sociais presente em amizades, ambientes profissionais ou relacionamentos amorosos. Por isso, algumas pessoas podem perceber essa convivência como mais previsível e emocionalmente segura.

Na avaliação apresentada pela psicóloga Cibele Santos, essa ausência de julgamentos e cobranças sociais pode transformar os animais em um importante espaço de conforto emocional.

Essa percepção também encontra respaldo em pesquisas anteriores.

Um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology concluiu que animais de estimação podem atuar como fontes de apoio social para seus tutores. Os pesquisadores observaram ainda que esse apoio não necessariamente compete com os vínculos humanos. Em determinadas circunstâncias, ele pode funcionar de maneira complementar.

Isso muda uma interpretação bastante comum sobre o assunto.

Gostar intensamente de animais não significa necessariamente gostar menos de pessoas.

Uma pessoa pode manter vínculos fortes com seus pets e, ao mesmo tempo, ter relações saudáveis com familiares, amigos, colegas e parceiros.

O cérebro também participa dessa conexão
A intensidade do vínculo entre humanos e animais não ocorre apenas no campo simbólico.

Pesquisas sobre a interação entre cães e seus tutores já identificaram mecanismos biológicos relacionados ao vínculo social, incluindo a participação da ocitocina, hormônio associado a processos de conexão e comportamento afiliativo.

Estudos sobre a troca de olhares entre cães e humanos, por exemplo, apontaram a existência de um mecanismo relacionado à ocitocina que ajuda a explicar como esse vínculo pode ter se fortalecido ao longo da convivência entre as duas espécies.

O resultado ajuda a explicar por que fazer carinho, brincar, caminhar ou simplesmente permanecer próximo de um animal pode representar uma experiência emocional significativa para o tutor.

Isso não significa, entretanto, que o cérebro trate uma relação com um animal exatamente da mesma maneira que todos os relacionamentos humanos.

Os vínculos possuem características diferentes.

Pets podem oferecer apoio emocional
A literatura científica já associa a convivência com animais a diferentes dimensões do bem-estar.

Pesquisas apontam que os pets podem oferecer companhia, contribuir para a sensação de apoio social e, em determinados contextos, ajudar seus tutores a enfrentar experiências de rejeição ou estresse.

A presença de um cachorro também pode provocar mudanças concretas na rotina.

Um estudo publicado em 2019 na Scientific Reports, realizado com adultos no Reino Unido, encontrou uma associação entre ter cães e realizar mais caminhadas recreativas. Na amostra estudada, tutores apresentaram probabilidade maior de atingir as recomendações de atividade física do que pessoas que não tinham cães.

Outras pesquisas apontam possíveis benefícios relacionados à companhia, humor e sensação de solidão, especialmente em determinados grupos ou situações de maior vulnerabilidade emocional.

Mas existe uma ressalva importante.

A ciência ainda não sustenta a ideia de que simplesmente ter um animal de estimação seja uma espécie de fórmula universal para melhorar a saúde mental.

Uma revisão sistemática publicada em 2025 analisou 116 estudos sobre apego a animais de estimação, saúde mental e bem-estar. Os resultados foram heterogêneos, mostrando que o impacto da relação depende de fatores como o tipo de vínculo estabelecido, características pessoais e contexto de vida do tutor.

Quem ama mais os animais tem uma personalidade específica?
Também não existe um único “perfil psicológico” que defina as pessoas mais apegadas aos animais.

Uma pesquisa publicada em 2024 analisou a relação entre personalidade e intensidade do vínculo com os pets a partir do modelo conhecido como Big Five, que avalia cinco grandes dimensões de personalidade.

Os pesquisadores encontraram algumas associações entre determinadas características e o nível de apego aos animais, mas os resultados não permitem criar uma regra capaz de determinar a personalidade de alguém apenas pela relação que mantém com seu pet.

O estudo também encontrou pouca sustentação para uma relação entre forte apego ao animal e os chamados traços da Tríade Sombria, conjunto de características que inclui narcisismo, maquiavelismo e psicopatia.

Em outras palavras, dizer que alguém prefere ficar com o cachorro no fim de semana revela muito pouco, isoladamente, sobre sua personalidade.

É necessário observar o contexto.

Quando a preferência pelos pets merece atenção?
O ponto de atenção aparece quando a relação deixa de complementar a vida e passa a limitar significativamente outras áreas.

Segundo a psicóloga ouvida pelo Metrópoles, evitar encontros familiares, amizades ou oportunidades profissionais exclusivamente para não se afastar do pet pode indicar que o animal está sendo utilizado como uma forma de evitar situações sociais ou experiências emocionalmente desconfortáveis.

Nesse cenário, o aspecto relevante não é amar demais o animal.

É observar se existe prejuízo concreto na vida da pessoa.

Preferir um passeio com o cachorro a uma festa, querer ficar em casa com o gato ou considerar um animal um integrante da família não representa, por si só, um problema psicológico.

A preocupação surge quando o medo de frustração, rejeição ou conflito leva o indivíduo a abandonar sistematicamente os relacionamentos humanos e restringir sua rotina.

Relações diferentes podem coexistir
Um dos principais pontos encontrados nas pesquisas sobre o tema é justamente a possibilidade de complementaridade.

Animais podem ocupar um espaço afetivo extremamente importante sem necessariamente substituir pessoas.

No estudo clássico sobre apoio social proporcionado por animais de estimação, pesquisadores concluíram que o suporte fornecido pelos pets poderia complementar aquele oferecido pelas relações humanas, em vez de competir diretamente com ele.

Um estudo mais recente com tutores de cães também reforçou essa particularidade. Os participantes relataram menor conflito e altos níveis de companhia e apoio no relacionamento com os animais, enquanto diferentes relações humanas continuaram apresentando vantagens próprias, como maior intimidade em vínculos amorosos.

Por isso, talvez a pergunta mais adequada não seja simplesmente por que alguém prefere animais a pessoas.

A questão central é qual papel aquele pet ocupa na vida de seu tutor.

Quando o animal oferece companhia, carinho e segurança sem impedir outros vínculos, essa relação pode fazer parte de uma rede emocional saudável e diversificada.

Quando se torna o único relacionamento que a pessoa considera tolerável e o convívio humano passa a ser sistematicamente evitado, vale investigar o que existe por trás desse comportamento.



Fonte de matéria https://spdiario.com.br/noticias/saude/voce-prefere-seu-pet-as-pessoas-entenda-o-que-isso-pode-revelar.html

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