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Alexandre de Moraes autoriza operação da PF contra suposta fonte de reportagem sobre Flávio Dino

redacao by redacao
12/08/2026
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Alexandre de Moraes autoriza operação da PF contra suposta fonte de reportagem sobre Flávio Dino
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A Polícia Federal cumpriu nesta terça-feira (11) mandados de busca e apreensão contra pessoas investigadas por supostamente fornecer informações para uma reportagem sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, provocou reação de entidades ligadas à imprensa, que manifestaram preocupação com a preservação do sigilo da fonte jornalística.

Os agentes apreenderam celulares, computadores e documentos nos endereços dos investigados. A medida foi autorizada a pedido da PF e contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Um dos alvos foi Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública e de Assuntos Legislativos do Maranhão. Segundo a investigação, Cutrim seria a fonte do jornalista Luís Pablo, que publicou conteúdos sobre veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão utilizados pelo ministro e por integrantes de sua família.

A PF chegou ao nome do ex-secretário depois de apreender, em março deste ano, dois celulares, um notebook e um pendrive que pertenciam ao jornalista.

Investigação começou após publicações

A apuração teve início depois que Luís Pablo publicou, a partir de novembro de 2025, reportagens com fotos e informações sobre um veículo do Tribunal de Justiça utilizado por Flávio Dino no Maranhão.

O jornalista também afirmou que o automóvel teria sido utilizado por familiares do ministro.

De acordo com a PF, as informações teriam sido obtidas por Raimundo Cutrim por meio de sistemas de acesso restrito. A investigação aponta que ele teria utilizado informações obtidas em razão do cargo público e repassado o material ao jornalista.

Outro alvo da operação foi o advogado Diogo Diniz Lima, que também ocupou o cargo de secretário municipal de Urbanismo e Habitação.

Segundo os investigadores, foram encontradas conversas entre Lima e Luís Pablo que, na avaliação da PF, indicariam uma articulação para desgastar a imagem de Flávio Dino. A investigação identificou ainda uma transferência de R$ 100 mil feita pelo advogado ao jornalista.

A PF apura se o pagamento teve relação com publicações de interesse do grupo ligado a Raimundo Cutrim.

Defesa de Cutrim contesta investigação

Raimundo Cutrim está em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica, desde julho de 2026, por determinação de Flávio Dino. A medida, segundo as informações apresentadas, está relacionada a outra investigação, que também tramita sob sigilo.

A defesa afirmou que ainda não teve acesso aos processos relacionados às operações anteriores nem ao procedimento que motivou as buscas desta terça-feira.

Segundo os advogados, a operação está relacionada às publicações feitas por Luís Pablo sobre o suposto uso irregular de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Flávio Dino. A defesa também afirmou que essas denúncias permanecem sem apuração.

Jornalista critica tentativa de criminalização

Em nota, Luís Pablo afirmou estar profundamente preocupado com o andamento da investigação e classificou as medidas como uma tentativa de criminalizar o exercício da atividade jornalística.

“Causa perplexidade que, após a identificação e violação do sigilo de uma fonte jornalística – garantia expressamente protegida pela Constituição Federal -, fatos e relações de natureza estritamente privada, sem qualquer vínculo com a produção ou publicação de conteúdo jornalístico, estejam sendo utilizados para tentar me atribuir uma conduta criminosa”.

O jornalista também questionou o fato de, segundo ele, a denúncia que originou as reportagens não ter sido investigada.

“É constatar que o fato de interesse público originalmente revelado e comprovado pela reportagem – o uso irregular de veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino – não foi objeto de apuração”.

Para Luís Pablo, enquanto a denúncia não foi investigada, ele, sua fonte e aspectos de sua vida privada passaram a ser alvo da apuração.

Entidades de imprensa criticam operação

Após a operação, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) divulgaram uma nota conjunta criticando a busca contra Raimundo Cutrim.

As entidades afirmaram que a medida representa uma preocupação para o sigilo das fontes jornalísticas e para a liberdade de imprensa.

“Manifestam profunda preocupação com a autorização de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luís Pablo, que publicara em seu blog notícias sobre o suposto uso de automóveis do Tribunal de Justiça do Estado por familiares do ministro do STF Flávio Dino. O jornalista já havia sido alvo de quebra de sigilo em março, após publicar as informações. A busca e apreensão contra o ex-secretário foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, após solicitação da Polícia Federal, e endossada pela Procuradoria Geral da República. Ações judiciais que quebram o sigilo da fonte não têm amparo constitucional e abrem precedentes que ameaçam a liberdade de imprensa, amparada pela Constituição. O artigo quinto, inciso 14, diz taxativamente que é resguardado o sigilo da fonte quando necessário para o exercício profissional”.

As entidades também defenderam que eventuais questionamentos sobre reportagens sejam tratados pelos mecanismos previstos na legislação.

“Casos de questionamentos a reportagens devem ser tratados dentro da lei, que prevê direito de resposta e indenizações. A violação do sigilo do profissional e de suas fontes leva a intimidações contra a imprensa que não condizem com o Estado Democrático de Direito e o livre exercício do jornalismo”.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Maranhão e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) também se manifestaram. As entidades afirmaram que “a liberdade de imprensa e o sigilo da fonte são pilares inegociáveis do Estado Democrático de Direito, e qualquer tentativa de fragilizá-los representa ameaça direta à democracia brasileira”.

Defesa de Flávio Dino nega uso irregular de veículo

Em nota, a assessoria de Flávio Dino negou que o ministro tenha utilizado irregularmente um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão.

“Em face da repetição de inverdades, jamais houve uso irregular de veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão; que um carro blindado foi cedido por solicitação da Secretaria de Segurança do STF no âmbito de acordo de cooperação vigente com todos os tribunais do país”.

A assessoria também afirmou que o ministro é alvo frequente de agressões e ameaças e que as investigações identificaram o monitoramento de veículos particulares utilizados por ele e por familiares.

Segundo a nota, as pessoas responsáveis pelo monitoramento não são jornalistas e exercem outras profissões.

A assessoria afirmou ainda que o monitoramento permitiu a obtenção de informações sobre os seguranças do ministro, o que teria levado a mudanças na equipe responsável pela proteção.

Ainda de acordo com a manifestação, a investigação identificou que um funcionário público teria acessado ilegalmente informações sigilosas relacionadas à segurança e que os dados foram utilizados em um monitoramento considerado clandestino.

A nota afirma que imagens de Flávio Dino e de familiares, incluindo seus filhos, que são crianças, teriam sido produzidas de forma clandestina, além do levantamento de itinerários habituais da família.

Por fim, a assessoria informou que a investigação continua para esclarecer os motivos e objetivos do monitoramento e afirmou que novas medidas de segurança foram solicitadas para proteger o ministro e seus familiares.



Fonte de matéria https://spdiario.com.br/noticias/politica/alexandre-de-moraes-autoriza-operacao-da-pf-contra-suposta-fonte-de-reportagem-sobre-flavio-dino.html

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