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Justiça condena militar por crimes na Casa da Morte

redacao by redacao
04/08/2026
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Justiça condena militar por crimes na Casa da Morte
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Decisão afasta aplicação da Lei da Anistia ao classificar os atos como crimes contra a humanidade.

A Justiça Federal condenou o sargento reformado do Exército Antônio Waneir Pinheiro de Lima, conhecido como “Camarão”, pelos crimes de cárcere privado qualificado e estupro cometidos contra a historiadora e militante política Inês Etienne Romeu, em 1971, na chamada Casa da Morte, centro clandestino de tortura mantido pelo Centro de Informações do Exército (CIE), em Petrópolis (RJ), durante a ditadura militar.

Na sentença, proferida em 31 de julho, a juíza federal Maria Isadora Frizao fixou a pena em 12 anos, 11 meses e 25 dias de reclusão, em regime inicial fechado. O réu poderá recorrer em liberdade. Ele sempre negou as acusações.

SENTENÇA

Além da pena de prisão, a magistrada determinou a perda do cargo público militar e o envio de ofício ao Ministério da Defesa para ciência da condenação.

A decisão também reconheceu que o estupro praticado contra Inês Etienne Romeu constitui crime contra a humanidade, entendimento que afasta a prescrição e impede a aplicação da Lei da Anistia de 1979. O condenado também deverá arcar com o pagamento das custas processuais.

INVESTIGAÇÃO

A ação foi conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF), por meio dos procuradores Vanessa Seguezzi, Antonio do Passo Cabral e Sergio Suiama.

Desde o início do processo, o MPF defendeu a perda do cargo público do acusado, com o cancelamento da aposentadoria ou de qualquer provento decorrente da reforma militar.

Os procuradores sustentaram que o estupro e o cárcere privado foram praticados em um contexto de ataque sistemático promovido pelo Estado contra opositores do regime militar, o que caracteriza crimes contra a humanidade.

Com base no direito internacional e em decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o órgão argumentou que esses delitos são imprescritíveis e não estão protegidos pela Lei da Anistia.

RELATO HISTÓRICO

Inês Etienne Romeu morreu em abril de 2015, aos 72 anos. Ela foi a única sobrevivente conhecida da Casa da Morte e, em 1979, prestou um relato histórico ao Conselho Federal da OAB, descrevendo as torturas físicas e psicológicas sofridas no centro clandestino de repressão mantido pelo Exército em Petrópolis.

Seu depoimento tornou-se um dos principais registros sobre o funcionamento da unidade durante a ditadura militar.

Com infomações da Agência Brasil



Fonte https://jurinews.com.br/destaque-nacional/justica-condena-militar-por-estupro-e-carcere-privado-na-casa-da-morte-durante-ditadura-militar

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