Após expor trabalhadores domésticos a dinâmicas vexatórias, criadora de conteúdo alega que vínculo foi regido por contrato audiovisual independente, enquanto autoridades alertam para assédio organizacional.
A influenciadora digital Viih Tube declarou nesta quinta-feira (2) que o controverso reality show “As Patroas”, produzido em conjunto com seu marido Eliezer, foi concebido como uma crítica à escala de trabalho 6×1. O programa colocou 11 empregados da residência do casal para disputar prêmios em dinheiro. O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou um procedimento investigatório para apurar supostas irregularidades laborais no programa.
Em desdobramento paralelo às investigações, o perfil oficial de Viih Tube no Instagram, que acumulava cerca de 31 milhões de seguidores, saiu do ar a partir das 20h20 desta quinta-feira.
A DEFESA
Em vídeos publicados nos stories antes da queda de sua conta, Viih Tube afirmou que a intenção do projeto era estimular o debate público sobre a jornada 6×1, da qual o casal se diz contra. “A nossa intenção era chamar atenção para falar sobre a escala 6×1, que nós somos contra. Porém, eu não imaginava que tomaria a proporção que tomou”, alegou.
A influenciadora também tentou afastar a tese de abuso do poder diretivo, argumentando que a participação no programa não era obrigatória e que os funcionários foram devidamente remunerados. Segundo ela, todos os envolvidos assinaram um contrato de produção audiovisual, recebendo pelo projeto “como se fosse uma publi”.
Apesar da defesa, ela admitiu que já aguardava a fiscalização. “A gente já sabia desde o início, porque reality com pessoas que têm relação de trabalho com você… De qualquer forma, o Ministério do Trabalho pode fazer uma fiscalização. É direito deles, tá? Porque realmente mistura as coisas”, declarou.
Apesar do argumento de que os empregados atuaram de forma voluntária, especialistas no âmbito do Direito do Trabalho destacam que essa tese não possui validade absoluta para afastar infrações. O consentimento em relações de subordinação deve ser analisado com severas ressalvas. Devido à histórica e natural assimetria de poder na relação empregatícia, a Justiça entende que o medo de retaliações ou o desejo de agradar os patrões anulam a autonomia real do funcionário.
A polêmica ganhou enorme dimensão após a exibição do primeiro episódio — publicado na terça-feira (30 de junho de 2026) no YouTube — que submeteu os participantes a dinâmicas consideradas humilhantes. Em uma das provas, os trabalhadores precisaram colocar as mãos dentro de um vaso sanitário e de uma lixeira contendo papel higiênico usado para resgatar moedas de plástico.

