Medida inclui obrigatoriedade de informar a ordem das perguntas e o uso de recursos audiovisuais durante as entrevistas.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai exigir informações mais detalhadas dos institutos que realizarem pesquisas eleitorais para o segundo turno das Eleições Gerais de 2026. A atualização do sistema de registro dos levantamentos amplia o detalhamento sobre metodologia, amostragem e aplicação dos questionários, sem criar novas obrigações legais. Entre as informações que deverão ser apresentadas está a ordem em que as perguntas aparecem nos questionários. Os institutos também terão de informar a população representada, o plano amostral, o tamanho previsto da amostra, o nível de confiança e a margem de erro máxima esperada.
As empresas deverão ainda detalhar os procedimentos utilizados para acessar os eleitores e indicar se recursos como áudios, vídeos ou imagens foram empregados durante as entrevistas. Após a divulgação dos levantamentos, será necessário informar dados efetivamente obtidos durante o trabalho de campo, incluindo período de coleta, tamanho real da amostra, perdas, recusas e substituições. A taxa de resposta e eventuais limitações metodológicas identificadas durante o levantamento também deverão ser registradas.
Segundo o tribunal, as mudanças resultam de reuniões realizadas em julho deste ano entre o ministro Kassio Nunes Marques e representantes de empresas de pesquisa, além de um parecer técnico elaborado por um grupo de trabalho criado no mesmo mês. A corte afirma que o objetivo é padronizar e tornar mais detalhadas informações que já são exigidas pela regulamentação eleitoral. O Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) permite consulta pública de dados.
O presidente do TSE chegou a propor um “Selo Acurácia Eleitoral”, que teria como objetivo reconhecer empresas cujos levantamentos apresentassem maior proximidade com os resultados oficiais das eleições. A proposta recebeu críticas de institutos e especialistas. Entre os argumentos apresentados estava o de que pesquisas eleitorais registram as intenções de voto no momento em que são realizadas e não constituem, necessariamente, uma previsão do resultado das urnas. Diante da repercussão, Nunes Marques passou a avaliar a desistência da iniciativa.
As discussões sobre novas regras para pesquisas também ocorreram após uma decisão monocrática de Kassio que suspendeu a divulgação de um levantamento da Atlas/Bloomberg sobre Flávio Bolsonaro. A pré-campanha do senador havia questionado a metodologia e alegado que o questionário poderia induzir uma percepção negativa sobre o candidato.
