Decisão unânime do tribunal atende pedido do MPE, que aponta lavagem de dinheiro, uso de curral eleitoral e vínculos da candidata com foragido da Justiça
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) barrou, por unanimidade, a candidatura de Mariana de Souza (PP) à Câmara dos Deputados. A decisão, proferida nesta sexta-feira (11), acolheu o pedido de impugnação apresentado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que sustenta a existência de vínculos da postulante com o alto escalão do Comando Vermelho (CV).
Um dos pilares da acusação é o relacionamento da candidata com Wilson Marques de Albuquerque, conhecido como “Zé Dirceu”. Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, ele é apontado como o número dois da facção criminosa naquele estado. Wilson possui mandados de prisão em aberto e encontra-se foragido.
Após a conclusão do julgamento, o presidente do TRE-RJ, Claudio Mello Tavares, destacou que o veredito atua como uma resposta institucional da Justiça Eleitoral contra a infiltração da criminalidade na política. “Mais uma vez, o tribunal está dando uma resposta contra a criminalidade”, afirmou o magistrado.
Conforme os autos, Wilson Marques de Albuquerque foi condenado a 19 anos e quatro meses de reclusão por tráfico de drogas, além de 12 anos e sete meses por associação para o tráfico. A Procuradoria sustenta que a candidata teria adotado estratégias para ocultar a identidade do marido em redes sociais, visando dificultar sua localização pelas forças de segurança.
O MPE também detalhou suspeitas envolvendo a empresa Império do Norte Ltda., de propriedade de Mariana de Souza. O estabelecimento está registrado em endereço contíguo ao de uma firma que, segundo a ação, teria sido constituída por Wilson utilizando identidade falsa. Para o órgão ministerial, há indícios de que tais estruturas empresariais tenham sido empregadas para a prática de lavagem de dinheiro.
A investigação do MPE abrange ainda seis contas bancárias vinculadas à candidata, nas quais foram identificadas movimentações financeiras que, segundo a acusação, indicariam o fracionamento de valores. Adicionalmente, a Procuradoria analisou o desempenho eleitoral de Mariana nas eleições de 2024, observando uma concentração atípica de votos.
De acordo com o levantamento, 1.451 votos — o que representa 81,3% do total obtido pela candidata — foram concentrados em bairros da Zona Norte. O MPE classifica essas regiões, incluindo áreas do Complexo da Penha, como territórios sob domínio do CV, sugerindo a existência de um “curral eleitoral” mantido por meio de coerção territorial.
A impugnação aponta ainda o recebimento de R$ 14 mil em doações feitas por dez pessoas residentes nessas localidades. O MPE ressalta que, entre os doadores, constam indivíduos com registros criminais ou sem renda formal compatível com os montantes doados, embora a própria Procuradoria reconheça que, isoladamente, esses dados não configuram prova definitiva de ilicitude.
Por fim, o processo menciona um áudio obtido pelas autoridades de Alagoas, gravado em 2024, no qual Nem Catenga, apontado como líder do CV no estado, manifesta a necessidade da organização de possuir “um representante” e “uma voz ativa” no cenário político. A gravação tinha como destinatário Patrick de Almeida Silva, o PTK, influenciador preso em junho pela Polícia Civil de Alagoas enquanto se apresentava como pré-candidato a deputado.
Com informações do Globo.
