O Congresso dos Deputados da Espanha impôs uma derrota contundente ao governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez. Em sessão extraordinária realizada nesta sexta-feira, os parlamentares rejeitaram em bloco os dois decretos centrais propostos pelo Executivo para tentar conter a crise de moradia que afeta as principais cidades do país.
A primeira matéria, elaborada pela coalizão de esquerda para estabelecer limites nos preços dos aluguéis e combater a especulação imobiliária, acabou derrubada por uma margem mínima: 178 votos contrários contra 172 a favor. Poucos minutos depois, a segunda proposta do pacote sofreu o mesmo destino, confirmando o colapso da articulação política do gabinete governamental.
A favor das propostas votaram o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) do presidente Pedro Sánchez e o seu parceiro de coligação Sumar, ao lado de forças da esquerda e de partidos regionalistas de apoio ao governo. Já a oposição frontal veio do Partido Popular (PP) e do Vox, da ala conservadora e de direita, somados ao voto decisivo do Junts per Catalunya (partido separatista catalão) e da União do Povo Navarro (UPN). Na segunda votação, partidos como o Partido Nacionalista Basco (PNV) e a Coalición Canaria também se somaram ao bloco do “não”, sob a alegação de que as medidas impostas feriam competências regionais, não resolviam o problema da oferta de imóveis e utilizavam a pauta habitacional para fins eleitorais.
A reação popular ao resultado da votação foi imediata e barulhenta. Do lado de fora da sede do Legislativo, em Madri, milhares de cidadãos que acompanhavam a sessão por meio de telões reagiram com indignação. Palavras de ordem como “vergonha” tomaram o entorno do prédio, enquanto lideranças comunitárias e movimentos sociais passaram a convocar os trabalhadores para uma greve geral.
O revés parlamentar expõe com clareza a extrema vulnerabilidade do governo Sánchez, que depende de uma frágil aliança com partidos regionalistas e de esquerda para aprovar qualquer projeto relevante. Sem o apoio necessário para avançar com pautas sociais prioritárias, o Executivo vê sua margem de manobra encolher drasticamente no parlamento.
Enquanto o impasse político se aprofunda nos gabinetes da capital, a população espanhola continua enfrentando o encarecimento do custo de vida. A incapacidade do Congresso em pactuar saídas para a questão imobiliária promete intensificar a onda de manifestações e inflamar o ambiente social nas próximas semanas.
