O médico residente Guilherme Lourenço Monteiro foi afastado temporariamente de suas atividades no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP-USP), no interior de São Paulo, após publicar nas redes sociais informações do prontuário de um paciente e fazer comentários sobre o peso dele.
A decisão foi anunciada pelo hospital nesta sexta-feira (25). Segundo a instituição, o caso passou a ser apurado internamente assim que a publicação chegou ao conhecimento do Hospital das Clínicas e da Comissão de Residência Médica (Coreme). A análise é conduzida em conjunto com a Procuradoria Jurídica e a chefia de gabinete.
A postagem foi feita no dia 21 de setembro no X, antigo Twitter. Na imagem divulgada pelo residente, apareciam informações do atendimento, como peso, altura e Índice de Massa Corporal (IMC) do paciente. O nome da pessoa atendida não foi mostrado.
Ao compartilhar os dados, o médico escreveu: “Isso aqui é uma amostra pra vocês entenderem com o que lidamos aqui no Hospital das Clínicas”. A publicação repercutiu nas redes sociais e acabou sendo retirada do ar.
Em manifestação sobre o episódio, o hospital classificou o conteúdo como inadequado e afirmou que a conduta não corresponde à postura profissional esperada pela instituição. O HC ressaltou ainda que os residentes recebem orientações sobre questões éticas, jurídicas e organizacionais relacionadas ao exercício da medicina.
Com a abertura da apuração, o supervisor do Programa de Residência Médica de Anestesiologia foi comunicado e determinou o afastamento temporário do residente enquanto o caso é analisado.
A situação também chegou ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). O órgão instaurou uma sindicância para apurar a conduta do profissional. O procedimento tramita sob sigilo.
As informações registradas em prontuários são protegidas pelo sigilo profissional. O Código de Ética Médica estabelece restrições à divulgação de fatos conhecidos pelo médico durante o exercício da profissão e determina cuidados específicos com informações relacionadas aos pacientes.
O afastamento, por enquanto, é temporário. A instituição ainda não informou quando o procedimento interno será concluído nem quais medidas poderão ser adotadas ao fim da apuração.

