Petição aponta suposta articulação entre o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o senador Flávio Bolsonaro
A campanha do presidente Lula (PT) à reeleição solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a inclusão da decisão dos Estados Unidos de suspender os serviços consulares no Brasil em uma investigação que apura suposta interferência externa nas eleições brasileiras. A petição, apresentada na sexta-feira (2), sustenta que a medida diplomática, segundo reportagens, teria sido ordenada diretamente pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. Os advogados argumentam que um gesto dessa natureza, deflagrado por um Estado estrangeiro no interregno eleitoral, projeta instabilidade sobre o ambiente do pleito.
Conforme a equipe do petista, existe um alinhamento entre Marco Rubio e as propostas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário na disputa pelo Palácio do Planalto. O documento cita uma reportagem que indicou a intenção do congressista de implementar no Itamaraty uma reforma diplomática inspirada no governo de Donald Trump. A petição também faz referência a uma carta assinada pelos senadores democratas Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch, na qual advertem o governo americano contra qualquer interferência no processo eleitoral brasileiro.
Os advogados de Lula classificaram os fatos como um desdobramento gravíssimo de uma articulação que, segundo eles, seria conduzida pelos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro. A suspensão dos serviços consulares na Embaixada e nos consulados americanos no Brasil foi justificada pelo governo dos Estados Unidos com base em questões de segurança, sem que houvesse, até o momento, previsão para o retorno dos atendimentos presenciais.
A Polícia Federal também informou, por meio de nota, que deflagrou uma operação para investigar potenciais ameaças contra as representações diplomáticas americanas. A ação resultou no cumprimento de dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal. A investigação, que corre sob sigilo e conta com a cooperação de forças estrangeiras, não encontrou, até o momento, elementos que corroborassem os riscos inicialmente apontados, tendo sido apreendidos apenas equipamentos de comunicação e mídias.

