A empresária e ex-vereadora do Rio de Janeiro Verônica Costa (PL), conhecida como Mãe Loira do Funk, foi presa na noite desta quinta-feira (24) no Vale das Videiras, em Araras, distrito de Petrópolis, na Região Serrana do Rio. Ela foi condenada a 10 anos e 8 meses de prisão pela tortura do ex-marido, Márcio Costa.
A captura ocorreu após buscas realizadas pela Polícia Civil em diferentes endereços ligados à ex-parlamentar. Também foram presos Bruno Chaves Ribeiro, Tatiane Chaves Ribeiro Marques e Bruno Marcelo Bahia Marques, condenados no mesmo processo. Uma quinta pessoa sentenciada pelo crime continua foragida.
Antes de localizar Verônica em Petrópolis, agentes da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter) estiveram em um imóvel no Recreio dos Bandeirantes onde ela residia, mas não a encontraram. Outros endereços relacionados à empresária, na Barra da Tijuca e em Jacarepaguá, também foram alvo das buscas.
A ordem de prisão foi expedida pela juíza Daniele Lima Pires Barbosa, da 16ª Vara Criminal do Rio, após o processo chegar ao trânsito em julgado, etapa em que não há mais possibilidade de apresentação de recursos.
Denúncia
O processo tem origem em um episódio ocorrido em fevereiro de 2011, quando Verônica e Márcio ainda eram casados. Segundo a investigação da Polícia Civil, pessoas ligadas à então vereadora teriam participado das agressões contra ele dentro da residência do casal, na Zona Sudoeste do Rio.
Em depoimento, Márcio relatou ter sido amordaçado e mantido amarrado durante cerca de 20 horas. Ele afirmou ainda que sofreu ameaças e agressões ao longo do período. De acordo com seu relato, os envolvidos jogaram inseticida em seu rosto e gasolina sobre seu corpo, além de ameaçá-lo de morte.
A primeira condenação no processo ocorreu em 2019. Inicialmente, Verônica recebeu pena de 5 anos e 10 meses de prisão. Após recurso do Ministério Público do Rio de Janeiro, porém, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio aumentou a condenação, em 2023, para 10 anos e 8 meses, com início do cumprimento em regime fechado.
A decisão também manteve a perda do mandato de vereadora estabelecida pela Justiça em primeira instância.
No mesmo julgamento, as penas de outros quatro réus foram ampliadas. Bruno Chaves Ribeiro, irmão de Verônica, recebeu 10 anos e 8 meses de prisão. Tatiane Chaves Ribeiro, irmã da empresária, Bruno Marcelo Bahia Marques, marido de Tatiane, e Sebastião de Oliveira Evangelista, padrasto de Verônica, foram condenados a 10 anos. Os recursos apresentados pelas defesas foram rejeitados.
Desde que o caso veio a público, Verônica Costa nega ter participado da tortura. Em declarações feitas em 2011, ela afirmou que o então marido fazia uso de drogas e que a ameaçava havia anos.
Na ocasião, a empresária também disse não saber como Márcio havia sofrido os ferimentos denunciados à polícia e negou ter ordenado ou praticado agressões contra ele.

