A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) negou ter participado da produção ou divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral após o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmar que pessoas de dentro da entidade teriam ajudado o PT a disseminar um conteúdo sobre Nossa Senhora Aparecida. Em nota divulgada neste domingo (27), a organização afirmou que não integra estruturas político-partidárias e declarou que “a mentira não se combate com outra mentira”.
A declaração de Flávio ocorreu durante uma agenda política em Goiás, no domingo. O senador afirmou que uma informação segundo a qual ele e sua família pretendiam retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil seria uma notícia falsa e disse que o PT teria tentado disseminá-la com a participação de pessoas ligadas à CNBB.
“O PT, eu sei hoje, já estava havia alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com a ajuda de gente de dentro da CNBB, infelizmente essa realidade”, afirmou o candidato durante uma carreata em Goiânia, segundo relatos publicados sobre o episódio.
A CNBB respondeu que não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas às eleições. A entidade também afirmou que repudia a produção e utilização de desinformação independentemente de sua origem ou de quem possa ser beneficiado ou prejudicado.
Na manifestação, a conferência destacou ainda que suas posições sobre o processo eleitoral são apresentadas dentro de sua missão pastoral e estão relacionadas a princípios como dignidade humana, bem comum, democracia e liberdade de consciência. A entidade também afirmou que atribuir a ela participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação sem fatos e provas “atinge injustamente a instituição”.
A polêmica envolve um conteúdo que circulou nas redes sociais associando Flávio Bolsonaro à suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Segundo reportagem do g1, um boato semelhante já havia circulado em 2018 envolvendo Jair Bolsonaro e o então deputado Eduardo Bolsonaro. Naquele episódio, o projeto citado nas publicações havia sido apresentado por outro parlamentar e acabou arquivado em 2008.
Além da manifestação institucional da CNBB, Dom Vicente Ferreira, bispo da Diocese de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia, e integrante da Comissão de Ecologia Integral e Mineração da CNBB, publicou uma crítica a Flávio nas redes sociais nesta segunda-feira (28).
Na mensagem, o religioso fez referência a declarações e episódios envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e integrantes da Igreja Católica e afirmou que, enquanto o pai teria feito críticas à CNBB, o filho agora acusava a entidade de ajudar na divulgação de informações falsas. Ao final, Dom Vicente mencionou Nossa Senhora Aparecida e defendeu a luta pela justiça e pela paz.
A discussão ocorre durante o processo eleitoral de 2026 e envolve, de um lado, a acusação feita pelo candidato sobre a origem da informação que circulou nas redes sociais e, de outro, a negativa formal da CNBB sobre qualquer participação institucional na produção ou disseminação do conteúdo.
A entidade encerrou a nota reafirmando compromisso com a verdade, o diálogo e a paz. A CNBB também reiterou que não integra estruturas de partidos ou candidaturas e que suas manifestações eleitorais decorrem de sua atuação institucional e pastoral.
Nota da CNBB na íntegra
“Diante de informações e manifestações que circulam nas redes sociais envolvendo o nome da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), esclarecemos:
A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral.
A Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar.
A CNBB não integra qualquer estrutura político-partidária, de partido ou candidatura.
Suas manifestações sobre as eleições decorrem de sua missão pastoral e de princípios públicos expressos em seus documentos, orientados pela dignidade humana, pelo bem comum, pela democracia e pela liberdade de consciência.
Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira.
A CNBB reafirma seu compromisso com a verdade, o diálogo e a paz.
Assessoria de Comunicação
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil”

