O ex-prefeito de Guarulhos e atual candidato a deputado federal, Guti (PSD), formalizou uma denúncia na Justiça Eleitoral, solicitando a investigação por parte da Polícia Federal (PF) em relação a supostas ameaças feitas por adversários políticos. Essas ameaças estariam direcionadas a uma empresa de trio elétrico que presta serviços para sua campanha.
A representação criminal envolve Thiago de Azevedo Lopes Fonseca, o vice-prefeito de Guarulhos conhecido como Thiago Surfista (PL) (foto em destaque), seu irmão Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca, apelidado de “Diguinho”, e um produtor de eventos. Segundo os registros, o grupo teria tentado forçar a empresa contratada para fornecer carros de som a cancelar o contrato firmado em agosto de 2026.
Conforme o relato do proprietário da empresa, que foi registrado em um Boletim de Ocorrência, ele foi convocado para reuniões onde Diguinho teria pressionado pela interrupção dos serviços. Durante esses encontros, o irmão de Thiago Surfista supostamente ameaçou utilizar a estrutura administrativa da Prefeitura de Guarulhos contra os veículos da campanha de Guti. O empresário também afirmou que Diguinho chegou a apresentar uma mensagem em seu celular, mencionando uma multa de R$ 5 mil por bloqueio de via.
Na sua petição, Guti argumenta que a PF deve liderar as investigações, dada a relevância eleitoral e federal do caso. A Prefeitura de Guarulhos, por meio de nota, afirmou não ter conhecimento das acusações, enquanto a assessoria de Thiago Surfista declarou que o vice-prefeito não está a par dos acontecimentos e que, assim que forem notificados, se manifestarão, ressaltando que a campanha de Surfista não se alinha a práticas de coação.
Uma nova reunião, na qual o empresário estava acompanhado por duas sócias, resultou em mais ameaças, que foram gravadas e anexadas à petição. Na gravação, um dos presentes menciona que a situação se trata de uma “guerra”, afirmando: “não queremos o Guti concorrendo com a gente, são ordens de cima”.
A representação sugere que o aparato fiscalizatório da Prefeitura, onde Thiago Surfista atua como vice-prefeito, estaria sendo utilizado para intimidar um concorrente político na busca por uma vaga na Câmara dos Deputados. Os advogados de Guti também pediram que qualquer investigação iniciada pela Polícia Civil em decorrência do Boletim de Ocorrência seja transferida para a esfera eleitoral e federal.
Encaminhamento ao Juízo da 176ª Zona Eleitoral
O caso foi inicialmente analisado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Contudo, a relatora acolheu o parecer da Procuradoria Regional Eleitoral, reconhecendo a incompetência da instância para julgar a matéria e determinando o encaminhamento dos autos ao Juízo da 176ª Zona Eleitoral de Guarulhos, que agora será responsável por avaliar os pedidos de prova e a solicitação de abertura do inquérito junto à Polícia Federal.
